10.5.12

proposta de redação I-

O "eu" que nos tornamos

A identificação do ser humano como um ‘eu’ único e inigualável geralmente é calcada na liberdade, busca dos valores pessoais e fixação dentro de uma cultura ou grupo social com características próprias. E mesmo que nos ensinem o valor do livre-arbítrio e o poder de escolha, é quase impossível desligar-se de determinadas características agregadas ao longo da existência. A “essência” pode sim ser autêntica dentro desse parâmetro, sem tornar o nosso ‘eu’ fútil ou ‘produto’ de um determinado meio.
A formação do indivíduo não é feita apenas de escolhas unicamente pessoais. A sociedade onde este se apega aos seus valores, o seio familiar onde as raízes são fincadas, os acontecimentos históricos, as experiências interpessoais, são diversos os meios onde ocorre esta exposição que pode modificar a ‘composição original’. Porém, não acontece uma modificação completa dessa composição, mas um agregado daquilo que lhe parece mais conveniente, uma adaptação do que é mais agradável.
 Esse recurso de adaptação parece ser muito viável numa sociedade que tem apresentado, desde acontecimentos como, por exemplo, a Guerra Fria, uma desestabilização de padrões que aparentavam segurança, como sendo o correto, graças ao questionamento feito pelos jovens que passaram a buscar a transgressão de valores considerados ultrapassados, e que desde então mostra-se ‘em busca’ de uma classificação para o que seria o jovem, e porque não o homem.
Parodiando o poeta Bob Dylan, “um homem precisa caminhar quantas estradas para que possa adquirir um eu?”. A experiência e o contato são as bases que constroem o ser humano aliado a sua individualidade, que é questionável. Os processos que constituem isto não devem ser desmerecidos nem subjugados, pois também compõem aquilo que somos, seremos ou fomos.

               

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"a palavra escrita permanece."