12.9.11

garotinhos



Arctic Monkeys




Juntaram suas guitarras embrulhadas com papel de presente no Natal passado. Arranharam três músicas ao mesmo tempo. O corte de cabelo ficou igual, as camisetas também. Paqueravam as mesmas garotas, imaginando o porquê de lerem o jornal pelas últimas páginas, procurando estrelas com nomes ora tristes, câncer, ora mágicos. Seriam elas sagitárias? Ou peixes?
A parede da sala tinha um rabisco em forma de nuvem, com duas, três canções escritas com guaches e giz de cera, acho que começava com “...Então, oh, eles devem usar seus Reeboks clássicos Ou seus converse acabados, ou seus bottons enfiados nas meias...” e terminavam com “baby, don’t cry”.
Garotinhos. Talvez eles sentissem mais que eu. Com seus cigarros tristes, suas vodkas e canções tatuadas. Com os corpos suados, as famílias reunidas numa mesa, as cores vermelhas do dia numa fotografia. Com sua adolescência tingindo minha adolescência.

 Nara  

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